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25 April PIPITA NUNCA SONHOU COM O PRÊMIO NOBEL DE LITERATURALuciano Oliveira Professor de UFPE E-mail: jlgo@hotlink.com.br
“Não! Não levaria Pipita para minha casa!” Com isso vou logo respondendo à conhecida provocação feita por figuras como Bareta em programas do tipo Tolerância Zero ─ uma dessas aberrações que vagueiam todos os dias pela televisão brasileira. Estarei sendo agressivo? Mas o que dizer de programas como esse em que terríveis dramas humanos são tratados na base da gozação com a participação de um pobre anão fantasiado de palhaço chamado “Torroio” ─ ou algo assim?
Não, não o levaria para casa. Pipita era um celerado, e tipos como ele metem medo em qualquer ser humano normal. Talvez São Francisco de Assis, ou Jesus Cristo, dele se apiedassem e lhe dessem abrigo. Eu não sou santo, e portanto não levaria Pipita para minha casa. Mas daí a exultar, a soltar fogos (simbólicos e reais) como fez a chamada sociedade sergipana com a notícia de sua execução, vai uma distância muito grande. Até porque uma questão nos interpela: como alguém se torna assaltante, estuprador e assassino com apenas 17 anos?
Calma, leitor! Não vou entoar a tradicional cantilena sobre as causas sociais do crime. Pipita não era inocente. Afinal, entre as determinações sociológicas e o ato criminoso, há sempre um terreno vago que não é atravessado sem o que ─ corretamente ou não ─ chamamos de liberdade. A prova é que nem todas as pessoas pobres delinqüem, da mesma maneira que nem todos os delitos são cometidos por pessoas pobres. Vejam o caso dos meninos de rua. Pela origem social, trata-se de seres submetidos às mais duras determinações. Mas se de um lado todo menino de rua é de origem pobre, de outro nem todo menino pobre se torna menino de rua! Entre o casebre miserável e a marquise onde se cheira cola e se aprende a assaltar, nada está decidido de antemão. O menino pode ser salvo por uma madrinha que o leva à igreja, ou pelo medo de levar uma surra do pai.
Mas não podemos esquecer ─ nunca! ─ que para estar submetido à tentação de ir perambular na cidade em vez de ir para a escola, é preciso pertencer a uma classe social onde essa “opção” se apresente. Se aos filhos da classe média sergipana ela não se põe, não é porque eles sejam melhores ou feitos de um barro diferente, mas porque seus pais os protegem dessa possibilidade obrigando-os a ir à escola, a comer nos horários certos, a fazer o dever de casa e a ir para a cama na hora de dormir.
Na falta disso, os devaneios mais loucos são possíveis. Com o que retomo a pergunta: como alguém ─ alguém que nasceu bebê como nossos filhos ─ se torna um Pipita aos 17 anos? Essa é uma idade em que ainda sonhamos. Quem joga futebol, sonha em ganhar uma copa do mundo. Para ver a maluquice de que somos capazes, basta dizer que um perna-de-pau como eu, que sublimava a timidez lendo livros, sonhava nessa idade que um dia ganharia o Prêmio Nobel de Literatura... Imaginem! Pipita, que certamente nunca leu um livro, com que sonhava? Provavelmente em ser um desses bandidos perigosos com um “três-oitão” na mão fazendo tudo o que a irresponsabilidade da idade autoriza: assaltar, estuprar, matar. Bastou um lar miserável desfeito, um pai na prisão, uma oportunidade... e o sonho se realizou! Só que era um pesadelo, e era real. E talvez ele só tenha se dado conta disso quando a primeira bala o atingiu.
Entretanto, as únicas referências que ouvi à pouca idade de Pipita foram para lamentar que, sendo menor, ele tivesse a impunidade assegurada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, que prevê para um caso como o seu, no máximo, internação pelo prazo três anos, a título de “medida sócio-educativa”. Como disse com certa dose de humor o dono da banca de jornal onde compro minha cervejinha, até os 18 anos eles são “anjos de luz”... E a óbvia conclusão: “tem é que mandar bala!” Ou, como estampou o Cinform com um franqueza chocante, despachá-lo para o “quinto dos infernos”. Não, Pipita não era nenhum anjo de luz, e o desfecho da sua miserável história dificilmente poderia ser outro. Daí a exultar com sua execução, vai uma grande distância, repito.
Tudo isso, vale lembrar, aconteceu numa Semana Santa, na madrugada da Sexta-Feira da Paixão para o Sábado de Aleluia, quando a única celebração possível para os que se dizem cristãos seria a da dor! E lembro minha avó, dizendo que quando uma alma ia para o céu, os anjos celebravam; e que quando ela ia para o inferno, o diabo é que ficava contente. Pipita não deve ter ido para o céu. Nesse caso, talvez os fogos saudando sua morte não tenham sido soltados por anjos... 17 April AS CONTRADIÇÕES DE NOSSA ÉPOCA E AS FUNÇÕES DAS BOAS PERGUNTASTales Messias Como falar em aprofundar relacionamentos, em desfrutar boa companhia dos mais íntimos...se os encontro apenas no msn? Se, ao contrário de anos atrás, hoje envio e-mail para eles – duas ou mais vezes por semana – e tenho o sentimento de ter tido “contato” com eles.
Como falar em valorizar família, se sou obrigado a “passar” por ela pela manhã, quando “engolimos” juntos (o que já é bom! Porque em algumas nem isso!) o café da manhã e já nos despedimos para nos vermos apenas a noite – após faculdade e reuniões. Quando a única coisa que me resta é sentar-me à beira da cama de minha filha, fazer uma oração por ela, e beijá-la...mas isso tudo “sozinho”, pois faz horas que ela já dorme.
Como falar em ser paciente, calmo, ter vida mais simples... se preciso que minhas dezenas de e-mails diários sejam recebidos, lidos e respondidos, de imediato? Além de ter que fazer o mesmo com todos os que recebo diariamente?
Como ensinar à minha filha que ela precisa alimentar-se bem... se preciso constantemente estar dizendo a ela, enquanto come, “rápido, minha filha. Mastigue rápido. Estamos nos atrasando”?
Como estar mais próximo de minha esposa...se a encontro a noite. Já na cama. Assistindo TV e me aguardando para termos nossos únicos momentos em paz. De diálogo, lazer e companhia? Quando toda a tirânica correria do dia já nos impõe extremo desgaste e cansaço?
Como ensinar, como Cristão, que precisamos amar o nosso próximo e tratar os outros como queremos que nos tratem... se sequer conheço o nome de meus vizinhos? Muito menos tenho seus telefones?
Nosso tempo é muito desafiador. Mas, apenas para quem busca lutar contra tudo o que se impõe para nós diariamente, que nos retira qualidades e virtudes e os troca por hábitos e vícios que vão fulminando e nos tornando uma contra-mensagem sobre tudo aquilo que nós acreditamos. E até divulgamos!
Quem busca “nadar contra toda essa maré” desumanizante de todos nossos dias, precisa ao menos aprender a fazer boas perguntas. Para si mesmo! Não para os outros. Para dentro de si. No máximo, também, para seus íntimos - sua esposa e filhos. Precisa ter coragem de perguntar a si mesmo... “como estou indo como pai?”; “como tenho sido como marido?”; “Eu gostaria de estar casado comigo?”; “Gostaria de ter um pai como eu tenho sido?”; “Tenho prioridades ainda em minha vida? De que servem essas prioridades na minha agenda diária e semanal?”; “Quais são meus princípios de vida e valores? Eles são lembrados por mim no meio de toda essa agitação sufocante de meu dia?”.
Quem busca não ser ainda mais engolido por essa mecânica diária capitalista, que nos impõe diariamente a necessidade de sermos mais competentes, de termos melhores desempenhos a cada dia, de nos auto-melhorarmos diariamente – método kaizen – precisa ao menos aprender a disciplina da auto-análise. De ter, de tempos em tempos, uma parada, em busca de levantar um diagnóstico de como temos caminhado nas diversas áreas de nossa vida. Um exame acurado, testado por testemunhas – os que caminham mais de perto e que possuem a habilidade de conseguir ser honesto e amável com você. Essas testemunhas não podem ser pessoas que se sentem subordinadas a você. Essas geralmente não são completamente sinceras. Por medo ou por desejo de serem promovidas.
É um exercício saudável para descobrirmos quais “monstros” ganharam espaço em nossa vida, tendo entrado nela de forma absurdamente sutil e pacientemente diária, mas constante. Tendo, por fim, transformado nosso coração, nossas práticas, até nossos conceitos. Ou, o que é pior, nos transformando – por nossos comportamentos – na anti-tese de tudo aquilo em que cremos e valorizamos. Pois, como bem afirma Sêneca, filósofo e tutor de sua época, “os males de que foges, estão em ti”.
06 April GENTE NOVA, MUNDO NOVOAriovaldo Ramos Extraído do blog:http://blog.ariovaldoramos.com.br/ “Caminhando junto ao mar da Galiléia, viu os irmãos Simão e André, que lançavam a rede ao mar, porque eram pescadores. Disse-lhes Jesus: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então, eles deixaram imediatamente as redes e o seguiram. Pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, que estavam no barco consertando as redes. E logo os chamou. Deixando eles no barco a seu pai Zebedeu com os empregados, seguiram após Jesus”. Mc 1.16-20 Jesus chama homens de seus ofícios para serem pescadores de homens. Eles eram pescadores por profissão, sabiam tudo sobre o seu ofício: reconhecer quando era tempo bom para a pesca; localizar cardumes segundo espécies; enfim, nada havia de secreto no mar e no caminho dos peixes para eles. Jesus os chama para fazer o mesmo em relação aos seres humanos: conhecê-los como conheciam aos peixes e ao seu “habitat”. Agora eles vão pescar pessoas, e há que conhecê-las e às suas circunstâncias, para tanto. Então, Jesus, antes de tudo, chama pessoas, para serem seus alunos, com objetivo de os apresentar a seres humanos, de ensinar-lhes sobre a sua espécie, para que a compreendam e, portanto, se compreendam em suas circunstâncias, para que possam entender a beleza e a tragédia humana. E essa é a missão: trazer as pessoas desta angústia para a possibilidade da beleza plena, como indivíduos e como sociedade. Jesus os chama para serem solidários, para se reconhecerem no próximo e por ele se responsabilizarem - para se verem como parte da grande comunidade humana. Nesse chamado não há etnocentrismo – pescadores de homens – de todos os membros da única raça que existe: a raça humana. Os alunos de Jesus serão capazes de reconhecer os seus semelhantes em sua dor, em seu sofrimento, em suas circunstâncias. Os alunos de Jesus, pela graça, pescarão pessoas da situação em que se encontram para que sejam tornados protagonistas da própria história, e agentes de mudança das circunstâncias que geraram, ou em que foram aprisionados. Sem novo ser humano não há mundo novo. Os que se esqueceram disso levaram uma surra da história. |
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