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31 July CAMINHO NOS DESCAMINHOSTALES MESSIAS
Vivemos num tempo onde se busca a segurança. Não apenas a física, que traz tranqüilidade contra a violência urbana e social. Mas também que traga descanso às nossas consciências. A realidade é muito dura, por isso buscamos a segurança das ilusões: preferimos que os doentes vivam nos hospitais; os anciãos nos asilos; os doentes mentais nos manicômios; os famintos nas favelas e periferias; os drogados e bêbados nas clínicas. Assim, por não enxergarmos, acreditamos – defensivamente – de que eles não existem ou existem longe de nós. Buscamos segurança e tranqüilidade, por isso buscamos os grandes shoppings, limpos, arejados, bonitos e ... seguros.
Isso, por vezes, se transfere para nossa própria existência. Ansiamos por vidas “limpas”, alvejadas e necessitamos mostrá-la assim aos outros, a fim de que nos sintamos incluídos.
Com isso, vamos nos tornando, primeiramente, ilusoriamente, intactos e distantes aos sofrimentos. Eles existem. Mas, são evitados, transferidos ou negados. Eles insistem em vir, mas são expurgados (não resolvidos!) e, claro, escondidos. Todo sepulcro de boa família vive bem pintado, branco, e sempre com flores. Mesmo que se saiba que, no fundo, há podridão e sujeira. Esse é o primeiro sintoma dos que vivem assim: vidas falsas, que enganam os outros e, por vezes, inconscientemente, também a si mesmas. Elas precisam sobreviver baseadas na ilusões, senão caem em profunda crise e medo do julgamento alheio.
A segunda reação, para quem vive assim é que se vive como se eventos surpreendentes não acontecessem. Vive-se como se pudesse administrar com segurança e estabilidade a própria vida, de forma permanente. Não se conta com surpresas, com eventos súbitos que trazem abaixo toda uma fortaleza construída durante anos... são casamentos que aparentemente eram perfeitos que ruem repentinamente, causando surpresa nos dois e na sociedade inteira. São filhos que, criados com todo o carinho e educação, surtam e de repente tomam um caminho de vida totalmente averso a tudo aquilo que eles expressavam acreditar. São notícias de doenças terminais que se escondiam por baixo de toda a capa saudável aparentada. São traições de amigos que dormiam e comiam no mesmo ambiente e que desfrutavam de toda a confiança. São traições e mentiras surgidas de quem mais amamos. São acidentes que levam consigo nossas paixões restando apenas saudades e dores. São tantas, inevitáveis e súbitas surpresas. Desfazem todo o fundamento de nossa “casa”, de nossa vida.
Quem vive alheio, ou achando-se imune a tudo isso, deixa tantas coisas perdidas em sua história: 1) Sensibilidade para se perceber que cada dia deve ser vivido de forma tão intensa e bem aproveitada onde tempo algum seja tido como perdido quando os dias maus vierem; 2) Humildade pois quem vive achando-se frágil e vulnerável às desagradáveis surpresas não acha-se maior e melhor pois entende que, a qualquer momento, as reviravoltas da vida podem nos levar ao chão; 3) Sensação do divino, mesmo que sejamos as pessoas mais idiotizadas e embrutecidas do mundo, que vivamos sem qualquer discernimento dos outros âmbitos da vida que não seja só o físico. Pois, quem vive cônscio das emoções e da espiritualidade, sobrevive sensível e reverente às ações do Divino; 4) Percepção dos detalhes pois quem vive atento e crente de que surpresas podem ocorrer, desconjuntando toda a vida, entropicamente, não despreza pequenas coisas e gestos da vida: um sorriso de uma filha, um beijo de quem amamos, um cinema de mãos dadas, uma tarde de domingo com quem se ama, um necessitado buscando por pão, um sol nascente, uma brisa suave e tantas outras pequenas coisas que, se atentos não formos, passarão despercebidas mas que são capazes de encher nossa alma.
Meu desejo, primeiro pra mim mesmo, é que eu viva ciente de que tudo a minha volta pode estar diferente em instantes. Que toda segurança atual pode se transformar em caos daqui a pouco. Mas, que estes sentimentos não me tragam pessimismo nem acomodação... ao contrário, me tragam sensibilidade e desejo de vida hoje; humildade no convívio com todos; olhos que enxerguem as grandes oportunidades e atividades mas que priorizem aquelas coisas mínimas, mas que trazem vida à nossa vida e, por fim, ânsia por se afinar a cada dia com a ação divina em nossa volta. Primeiro pra mim mesmo, senão na escreveria, desejo eu. Mas não só para mim. Que hoje seja dia de revermos em que cremos, aquilo em que baseamos nossas vidas, aquilo que “precisamos” demonstrar aos outros e com que atitude viveremos nossa existência.
Abraços, Tales Messias
28 July Eu queria trazer-te uns versos muito lindosMário Quintana
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos colhidos no mais íntimo de mim... Suas palavras seriam as mais simples do mundo, porém não sei que luz as iluminaria que terias de fechar teus olhos para as ouvir... Sim! Uma luz que viria de dentro delas, como essa que acende inesperadas cores nas lanternas chinesas de papel! Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento da Poesia... como uma pobre lanterna que incendiou! |
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