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25 January Otimismo e esperançaRubem Alves Hoje não há razões para otimismo. Hoje só é possível ter esperança. Esperança é o oposto do otimismo. Otimismo é quando, sendo primavera do lado de fora, nasce a primavera do lado de dentro. Esperança é quando, sendo seca absoluta do lado de fora, continuam as fontes a borbulhar dentro do coração. Camus sabia o que era esperança. Suas palavras: E no meio do inverno eu descobri que dentro de mim havia um verão invencível... Otimismo é alegria por causa de: coisa humana, natural. Esperança é alegria a despeito de: coisa divina. O otimismo tem suas raízes no tempo. A esperança tem suas raízes na eternidade. O otimismo se alimenta de grandes coisas. Sem elas, ele morre. A esperança se alimenta de pequenas coisas. Nas pequenas coisas ela floresce. Basta-lhe um morango à beira do abismo. Hoje, é tudo o que temos ao nos aproximarmos do século XXI: morangos à beira do abismo, alegria sem razões. A possibilidade da esperança... O texto desta página é um trecho da crônica Sobre o Otimismo e a Esperança, publicado originalmente no livro Concerto para Corpo e Alma (Ed. Papirus). 19 January Uma parada na vida pra pensar em sua brevidadeTales Messias
Em meio a Muruci, Cupuaçu, Açaí, Peixe Filhote, Taperebá, Tucupi, Takaká, Tucunaré, Maniçoba e tantas outras delícias do Pará...após dias longe de casa...conseguí parar. Parar um pouco. Pra pensar, escrever, encontrar-se comigo.
Penso em como a vida é breve (como bem refletiu Sêneca em seu “Sobre a brevidade da vida”). Penso e relembro de momentos antigos, de amigos antigos (que só encontramos agora virtualmente, no orkut). Lembro de momentos felizes (de alguns destes, só fotos restaram). Relembro tempos de tanta agonia na alma, e choro. Alegro-me em poder ver que a maioria daqueles tormentos e fantasmas se foram.
Como a vida é breve...somos como sopro...que vai-se rapidamente...
Hoje, logo cedo, no café, lia o jornal local anunciando a trágica morte de dois bebês, misteriosamente, em um hospital. Em outra notícia, estampa-se a morte de uma jovem, muito bonita, estrangulada por um namorado porque tinha ciúmes do ex-namorado. Aos pais...apenas lamentações...e saudades.
Volto a pensar na vida e em sua brevidade. Por que, sendo ela breve não valorizamos o que perdura por mais tempo? Por que não nos ocupamos com o que valoriza a vida...já que a temos por tão pouco tempo? Por que gastamos tanto dinheiro com o que é supérfluo? Para que valorizar tanto uma máquina? Para que hipervalorizar uma construção? Por que demandar tanto tempo com carros, shoppings, consumo, compras, TV? Essas coisas só ganham valor se se voltarem para um fim humano. Se no shopping formos não para “gastarmos tempo”, ou dinheiro. Mas, se formos para sentar com um amigo e tomarmos um bom café, regado a comunhão e compartilhamento.
Hoje, após viver um pouco mais...nossos valores mudam. Continuo gostando de computador, TV, Shopping, carro. Mas, um tantinho de tempo com minha filha é mais precioso. Há dias longe dela, adoro ouvi-la dizer no telefone: “chaudade, painho”. Longe de minha esposa, vejo o quanto vale a presença e o amor dela. Na saudade, notamos o valor da presença. A pouco liguei para meus pais, apenas para ouvi-los dizer: “está tudo bem”. Ainda hoje pela manhã, um amigo do trabalho me contava da história de sua sogra, com 55 anos, que caiu de um degrau, pequeno, mas suficiente para quebrar seu pé, com fratura exposta. Em minha mente, visualizei meus pais. Num instante, quase automático, meus pensamentos juntaram-se com os de Deus...em oração. Ali, na mente, olhos fechados, enquanto ouvia aquela história, “falei” a Deus: “cuida de meus pais, Senhor. Cuida deles. Poderia ter sido eles. Cuida. Só peço isso. Amem”. São momentos...tempinhos de ligação com a eternidade...com o divino...um sorriso amigo, um abraço de quem ama e amamos...um beijo de uma criança...um café com um amigo que termina com lágrimas nos olhos por contar segredos tão bem guardados mas necessitados de serem manifestos...uma ligação de alguém especial apenas para nos dizer o quanto lembra de nós...uma gentileza de um desconhecido apenas por vontade de ser gentil...um “bom dia” num elevador, simples, mas suficiente para iniciar uma pequena relação... um elogio não esperado...um cartãozinho sincero dizendo coisas que o outro já sabe mas que precisa ouvir...esses momentos se eternizam. Esses sim se perpetuam.
Após isso...peço apenas que eu viva mergulhado no dia a dia tão regado por urgências não importantes, mas que eu lembre daquelas coisas que são mais importantes...mesmo não ganhando o caráter de urgentes. Peço isso. A Deus também.
15 January UM SER HUMANO MELHORJose Comblain encerrou seu sermão no THEOLOGANDO INTERNACIONAL realizado em São Paulo ( Outubro/2007 ), com uma pergunta que, segundo ele, a missão da igreja hoje, isto é, a igreja precisa decidir se ela deseja expandir a instituição religiosa ou se parecer com Cristo. Quer dizer, para de fato realizar sua missão na terra, primeiro ela, a igreja, tem que responder esta pergunta, EXPANDIR A INSTITUIÇÃO RELIGIOSA OU SE PARECER COM CRISTO? Pelo que temos visto, tanto a Igreja católica, quando a chamada igreja protestante e todas as suas derivações, todas, sem exceção, já decidiram, isto é, EXPANDIR A INSTITUIÇÃO RELIGIOSA é a missão da “Igreja Institucional”, insisto, sejam quais forem as vertentes desta igreja. Agora, é obvio que o cristão mais simples, acho que até mesmo os simplórios, sabem que o propósito final de Deus em nós, é nos tornar parecidos com Seu Filho, e que a tarefa maior da igreja é fazer, produzir, criar seres humanos melhores, que, num processo segundo Paulo, de Glória em Glória, chegarão à estatura de varão perfeito. Sabendo e crendo que a missão da igreja no mundo é se parecer com Cristo e, portanto, produzir seres humanos melhores, penso que o maior desafio das comunidades que desejam ser parecidas com Cristo é vencer a tentação de se institucionalizar. Digo isto porque, como hoje faço parte de um grupo informal, que apenas se encontra para reler o evangelho, celebrar o encontro, e no encontro a presença de Deus, e na presença de Deus resignificar a vida, o que mais ouço, claro, não dos que estão sendo curados, restaurados e se reencantando com o evangelho de Jesus de Nazaré, não, estes estão felizes e livres, mas, dos que, embora com um discurso de que desejam se parecer com Cristo, ainda vivem para expandir a instituição religiosa, sim o que mais ouço é, VOCÊS À MEDIDA QUE CRESCEM INEVITAVELMENTE SE INSTITUCIONALIZARÃO. Terão que se estruturar, se organizar, formalizar e formatar. A tentação de se institucionalizar é grande. Primeiro, como dizem todos, é uma questão de ordem, isto é, se tornar uma pessoa jurídica, para tanto, estabelecer uma diretoria, que, certamente terá que desempenhar funções. Depois, segundo outros, não tem como, é necessário departamentalizar, isto é, criar os chamados ministérios e daí por diante todos já conhecemos bem o final, ou seja, gente servindo a estrutura e mantendo o bem estar da instituição religiosa. E para manter a instituição e sua estrutura tem que treinar seus membros e torná-los eficientes em servir a instituição e tudo isto com aquele discurso de que Deus se agrada disto e, portanto, Ele abençoará todos os que se tornam voluntários nos ministérios, nos departamentos e no desempenho das chamadas funções segundo seus dons, talentos e habilidades. Não importa quem são essas pessoas em seu chamado no mundo privado. Não importa que tipo de homens e mulheres são. Que tipo de profissionais, que tipo de cidadãos, que tipo de maridos, esposas, pais e mães, filhos. Importa que estão “servindo a Deus” através da instituição religiosa em sua estrutura. Importa que sejam “bons” presbíteros, diáconos, ministros, diretores de departamentos, etc...Por melhores que sejam os modelos, o que tem ficado cada dia mais claro é que as pessoas não estão sendo ensinadas a serem melhores seres humanos, elas estão se tornando mão de obra gratuita nas mãos de seus líderes e expandindo suas instituições, seus ministérios, suas TORRES, e que TORRES. As pessoas ficam boas, melhores equipadas pra eles, pra estrutura, pra instituição, não necessariamente pra vida e para os outros. Seres humanos melhores não necessariamente é a preocupação destas instituições. Fosse a igreja voltar à sua missão, com que ela deveria se ocupar? Claro, com o que é o tema central do evangelho, ou seja, ensinar os seres humanos a olhar como Jesus olhou, ouvir como Jesus ouviu, tocar como Jesus tocou, perdoar como Jesus perdoou, repartir o pão como Jesus repartiu. Aprender ir a festas e velórios. Freqüentar os altos escalões do mundo corporativo, mas, freqüentar também os hospitais. Transitar pelos corredores dos palácios governamentais, mas, transitar também nas associações de bairros, nas favelas e nas periferias. Percorrer corredores de condomínios de alta classe, mas, também corredores de presídios. Saber ir a praia, mas, ir ao deserto também. Um ser humano melhor é o resultado dos que são confrontados com Jesus e na presença dEle e sob a influência do Seu Espírito, tornam-se homens e mulheres melhores. Homens e mulheres melhores ocupam-se consigo mesmos para viverem em equilíbrio e tomarem decisões com bom senso. Cuidam do corpo, buscando nunca exagerar em nada. Cuidam de suas almas buscando manter suas emoções em níveis adequados. Cuidam de seus espíritos para que haja saúde espiritual suficiente para suprir a si mesmos e a outros. Nem mesmo seres humanos com BOM SENSO a instituição tem produzido. Seres humanos melhores olham a volta e vêem o outro tornando-se solidários, encorajadores, suporte na vida de muitos. Seres humanos melhores ocupam-se com o bem estar do planeta e acabam se engajando em projetos que visam fazer com que o mundo dure mais e nossos filhos e netos possam ver o que nós vimos. Seres humanos melhores lutam contra a pobreza, a injustiça, os pré-conceitos, as discriminações, as desigualdades sócias, raciais, culturais, religiosas, etc...Ficam algumas perguntas ou sinceras reflexões como: No que um suntuoso templo torna um ser humano melhor? No que ricos utensílios, equipamentos de primeira, aparatos tecnológicos, logística, estratégia, organização pode tornar um ser humano melhor. No que a mídia nas mãos de religiosos em todas as suas infinitas possibilidades torna um ser humano melhor? No que os treinamentos mais apurados torna um ser humano melhor? O Reino de Deus é simples, então, porque tanta sofisticação, e, no que esta sofisticação torna um ser humano melhor? Jesus resume tudo em um único mandamento, “AMA A DEUS E AO TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO” No que as estruturas religiosas tem contribuído para que tenhamos seres humanos que AMEM A DEUS, AMEM O PRÓXIMO COMO A SI MESMOS? Entre seres humanos melhores só existe uma competição, qual seja, QUEM AMA MAIS A DEUS, QUEM AMA MAIS AO PRÓXIMO COMO A SI MESMOS. Enquanto estivermos competindo para construirmos torres maiores que as do próximo, certtamente ainda estaremos distantes do ideal de Deus para aqueles a quem Ele tanto amou. Ideal que tem a ver com uma compreensão mínima, básica do evangelho da Graça do nosso Senhor Jesus Cristo. É hora de tornarmos os seres humanos melhores para Deus, melhores para o próximo e melhores para si mesmos. É hora de libertar os seres humanos do julgo imposto pela estrutura religiosa que os tornam escravos de homens e sistemas. É hora de, no mínimo, colocar as estruturas religiosas a serviço das pessoas. É hora de romper com este sistema religioso que algema seres humanos. É hora de uma DOCE REVOLUÇÂO, que torna os seres humanos em seres livres. Livres em suas consciências visitadas e transformadas pela Graça de Jesus que os faz serem hebreus, nômades, andarilhos, desinstalados, desapegados, mortos para o sistema mundano e vivos para viverem o amor e graça. Sendo no mundo, sal, luz, perfume, cura, perdão e tudo aquilo que é decorrente de uma vida entregue e abandonada nas mãos do Eterno, que se revelou em Cristo na eternidade e na historia e que habita entre nós e em nós para que tudo nEle se convirja e se aperfeiçoe. A Ele honra e glória para sempre. Amém. Carlos Bregantim 27 December DÊ FRUTOS ONDE FOR SEMEADOTales Messias
Tempos atrás recebi um e-mail onde continha várias frases. Algumas delas me chamaram atenção: Não espere o melhor emprego para começar a trabalhar Não espere um sorriso para ser gentil; Não espere ser amado para amar; Não espere ficar sozinho para reconhecer o amor de quem está ao seu lado; Não espere ficar de luto para reconhecer quem hoje é importante para você; Não espere a queda para lembrar-se do conselho; Não espere a enfermidade para saber quão frágil é a vida; Não espere por pessoas perfeitas para então se apaixonar; Não espere a mágoa para pedir perdão; Não espere a separação para buscar a reconciliação; Não espere ter dinheiro aos montes para então contribuir; Não espere elogios para acreditar em si mesmo.
Hoje, às vésperas de um novo ano, época em que geralmente nos auto-avaliamos, parei para pensar. Pensar em mim. Pensar nos outros. Pensar em amigos. Pensar no mundo. Avaliar a vida. Minha vida. Vida de amigos e familiares que, diretamente ou indiretamente, acabam por afetar minha própria vida e emoções. Por isso, talvez, o Saint-Exupéry escreveu que “somos responsáveis por quem cativamos”.
Nesses pensamentos...enumerei desejos...anseios pra mim, para os meus e para o mundo.
E a primeira conclusão desafiadora que desejo é: Quero dar frutos onde for semeado !
Temos uma tendência, doentia. Ou melhor, temos algumas tendências doentias em nossa vida: 1) Esquecer-se de anteriores tempos ruins – Temos a péssima tendência de, pouco a pouco, irmos nos esquecendo...lentamente...de tempos passados e que foram muito difíceis. Não é incomum ouvirmos pessoas queixando-se de outras afirmando: “Fulano é uma pessoa muito ingrata. Ajudei ele a vida toda, quando ele não tinha nada. E nem era ninguém. Hoje sequer ele olha pra mim”. Geralmente são pessoas que foram imensamente ajudadas mas, posteriormente, consideram seu crescimento unicamente fruto de seus próprios méritos. Começa a acreditar que os avanços são pagamento justo por suas próprias virtudes. Ledo engano. Outras vezes vejo pessoas extremante felizes, motivadas, pois conseguiram um novo relacionamento ou trabalho. Meses depois, esquecendo-se do antigo tempo de solidão ou desemprego, estão completamente desmotivadas e sem nenhum interesse inovador em seu trabalho. Falta comprometimento, criatividade renovada diariamente.
2) Esquecer-se de anteriores tempos melhores – É um problema diferente do anterior. Neste, temos a tendência à acomodação. E, pior, ao pessimismo. Esquecemo-nos de que, em tempos atrás, já obtivemos sucesso em alguma área. Esquecemo-nos de que, anteriormente, já tivemos tempos de imensa paixão e paz em nossos relacionamentos. Se um dia houve bons tempos, então significa que quando os tempos ruins chegarem precisaremos olhar para trás. Não como saudosismo, mas como lembrança de que podemos voltar a ter dias melhores. Seja em qual área for ! Quando estamos ensinando nossos filhos a andarem, não ficamos amedrontando-as sobre as quedas que poderão sofrer. Não ! Ficamos estimulando elas e, quando conseguem dar um passo apenas, gritamos e comemoramos a fim de que o único passo seja lembrado e sirva de estímulo aos outros. Mesmo que logo após o primeiro passo venha uma queda. Anos depois ela estará correndo !
3) Tendência ao comodismo – Diz Gandhi: “Se queres fazer História, não deves repeti-la”. Peço a Deus que nunca me torne um tradicionalista. Cultuando o que já vivi e o que já conquistei. Quero ser sempre contemporâneo! Quero estar falando e vivendo em meu tempo e para o meu tempo. Inovar-se. Ampliar-se. Ir além. Mais um pouco, cada dia. Não quero olhar para meu casamento e achar que ele já está no nível que deveria estar. Não quero olhar para minha casa, para meu trabalho, para minha função, para minha filha e achar que já alcançamos tudo o que gostaríamos e que agora cabe apenas a manutenção de meu quadro social. Não. Quero me negar a isso a cada dia. Quero buscar mais sempre: espiritualmente, financeiramente, individualmente, na vida familiar, profissional, emocional, social e intelectual. A estagnação causa apodrecimento, tal qual água parada.
4) Tendência ao medo – Diante dos obstáculos, quero aprender a contorná-los. É outra lição que podemos aprender com a água. Esta não se detém diante dos obstáculos mas apenas os contorna e continua seu caminho. O medo geralmente é causado por lembranças e experiências negativas na vida. Diante disso, cultivamos o medo de novamente voltarmos a sofrer as mesmas dores. É uma defesa natural da vida. Quero ir de encontro a esse medo. Mesmo que haja o risco de sofrer as mesmas dores. Com isso, quero perdoar meus amigos que me magoaram e traíram e que me deixaram sozinho diante das dores. Quero perdoá-los mesmo que novamente eu corra o risco de ser abandonado. Quero lançar-me em novos projetos no trabalho mesmo que minhas inovações sejam reprovadas. Mas, como disse Ford: “Há dois tipos de funcionários que as empresas não precisam: os que não fazem aquilo que se manda fazer e os que só fazem aquilo que se manda fazer”. Por isso, mesmo com risco da frustração, da dor e da reprovação, quero ir além do que está posto na minha frente.
Por fim, quero ser grato pelo que tenho hoje em minhas mãos. Mesmo achando que pode-se ir além. Quero olhar pra minha família – com olhar grato – mas buscar ser melhor marido e pai do que já fui até hoje. Quero olhar para meu trabalho – com imensa gratidão - mas quero, dia - a – dia, motivar-me mais. Auto-motivação. Mesmo que às vezes o desânimo e a desmotivação me tendenciem a andar a “passos de tartaruga”. Nesses dias, quero procurar um lugar, no trabalho, sozinho – com Deus – para que eu traga a minha mente as verdades ditas acima (que já tive tempos piores, que posso ir além do que já fui até hoje, que sou grato pelo que tenho até aqui). Quero olhar para minha saúde e, mesmo grato, quero perceber aquilo que posso mudar e melhorar. Enfim, olhar como um todo para todas as nuances que me envolvem e, com coração agradecido, motivar-me a caminhar em caminho novo e mais além do que já trilhado até aqui.
Num tempo de imensas e velozes mudanças quero cultivar esse espírito em mim: gratidão e inconformismo. Grato pelo que sou e tenho. Desejo de ir além.
Desejo isso pra mim, pra minha família, para meus amigos e para o mundo. Pois ainda não somos tudo aquilo que deveríamos e poderíamos ser, mesmo com todo o conhecimento disponível, tecnologia e civilidade. Gratidão e inconformismo: minha oração. 23 December SEJA BEM-VINDO 2007Tales Messias
Há anos que nos despedimos sem que ele nos cause grandes saudades. Simplesmente passam. Outros anos, temos imensa vontade de que eles passem logo. E que consigam ir embora sem deixar nenhum resquício em nossa vida. Isso desejei para 2005 e 2006. Outros, porém, simplesmente não passam. Não vão embora. Deixam profundas e marcantes transformações. Conseguem eternizar-se. Assim foi 2007.
Digo isso não para causar constrangimentos e emoções negativas naqueles que consideram 2007 como um ano desgraçadamente ruim.
Reflito nisso, apenas como testemunho de que há anos que terminamos como quem sonha:
- 2007 foi um ano de reconstrução. Reconstrução familiar. Após dois anos de imensos gemidos na alma, saudades de minha filha, vácuos internos deixados pela ausência de minha esposa, terminamos o ano de forma inusitadamente desejada: em família. Deus - Aquele que reconstrói dos restos, Aquele que traz organização do caos, Aquele que traz vida nos últimos suspiros, Aquele que ilumina dissipando trevas – fez isso em minha família. - 2007 foi um ano de auto-conhecimento. Após tantas crises – os mais íntimos as conheceram – é impossível que saiamos delas sem que nos conheçamos melhor. Impossível não nos vermos diante de tantas falências. Um mergulho em nossa própria alma só é possível quando nos desvencilhamos de tudo o que nos atrai para a popularidade, de tudo o que faz nossos olhos vibrarem por elogios. Só conseguimos nos enxergar quando saímos de trás de nossas proteções construídas: títulos, aplausos, poder, dinheiro em abundância. Só nos vemos quando precisamos olhar para o chão, desfalecidos diante de falências múltiplas. Só assim, humildes, sentimos brotar em nós um varrimento interno, um “desfragmentador de disco” que começa a varrer todos os espaços mentais, em busca de nós mesmos, de funcionamentos defeituosos em nossa alma, em busca de quem somos, do que pensamos, do que cremos, do que Deus projetou para nós. Sem nenhuma, nenhuma mesmo, influência de instituição alguma. Geralmente castradora e manipuladora. - 2007 foi um ano de solidão inicial. Mais um. Após anos de popularidade. 2007 – como o foram 2005 e 2006 – começou sendo um ano de imensa solidão. Onde os “amigos” continuaram distantes. Ausentes e nulos. Como é próprio de qualquer amizade forjada em meio a eventos, movimentos e ativismos. Em meio a crises, essas amizades mostram-se apenas extremamente preocupadas em preservar as já citadas instituições. Sejam estas religiosas ou sociais. Qualquer instituição humana por sofrer de um mal chamado “auto-preservação” apenas enfrenta crises institucionais. Ai dos que se dedicam exageradamente a estas. Nos dias de crise pessoal, as enfrentarão sozinhos. Mas, como disse, 2007 foi um ano inicialmente solitário. Pois, alguns bons amigos surgiram. Outros retornaram. E como enchem nossa alma após anos de imensa solidão! - 2007 foi um ano de reinício ministerial. Tem sido um grande prazer estar numa igreja novamente. Com enormes diferenças, com instransponíveis vales. Mesmo assim, sendo tão diferentes, têm abençoado minha alma e vida. Como é bom sentir-se amado e acolhido por diferentes. Como é bom sentir-se amado por comunidade tão plural e diversa. - 2007 foi um ano onde relacionar-se com Deus não significou mais relacionar-se com igreja alguma. Houve um divórcio definitivo deste conceito. Despedi-me, a dois anos, de uma comunidade extremamente doentia, com liderança imensamente moralista. O fantasma desta demora a ser expulso. Hoje, em família, continuamos valorizando igreja, mas não outorgamos a ela o papel de juízes, nem aos líderes o papel de sacerdotes. Somos livres em Deus e para Deus. A Graça dEle nos acolhe e nos transforma. Apenas a Graça dEle. Nada mais. Apenas Ele. Pessoa alguma mais.
- 2007 foi um ano de imensos detalhes especiais: - Minha filhinha entrou na escolinha. E se desenvolveu muito bem. Que prazer vê-la, pequenininha, de roupa escolar; - Minha esposa terminou duas especializações e uma pós-graduação, além de ser aprovada em Concurso Público; - Saúde perfeita de meus pais, irmãos e cunhadas; - Imensas e felizes transformações em minha vida profissional; - Cuidado de Deus tão perto, tão visível em tão grandes livramentos; - Reconciliações, perdões, ódio dissipado. Desejo de amar a Deus e desejo de amar as pessoas. De doar-se a elas. - Minha sobrinha linda-Lídia começando a andar e falar.
Há tantas coisas. Muitas. Inúmeras. Registradas docemente pelo Espírito em nossas almas. Isso tudo, conjuntamente, cooperou para nosso bem. Por isso, não me despeço de 2007. Nunca mais. Os ensinos, os choros transformados em dança, a pedagogia sutil em todo o ano comprovando que Deus continua presente em nossa história, é que faz com que esse ano tenha sido, com imensa certeza, o primeiro ano do resto de nossas vidas.
Bem-vindo 2007. Se 2008 conseguir ser um pouco pior do que você, será ainda assim um grande ano. Não tenho pretensões de ter vários 2007’s. Esse foi um ano incomum. Distinto. Um marco.
Bem-vindo 2007 à minha história. 2008, lhe desejo paz, saúde, trabalho, reflexões, bons livros lidos, amor distribuído, amizades novas – e sinceras daqui pra frente – menos desigualdade social, mais justiça social, mais solidariedade, mais desejo de Deus – não de religião apenas – e, claro, que no mínimo você consiga ser mantenedor do que 2007 conseguiu fazer (Leia-se Deus conseguiu fazer!). Se assim for, será um ano maravilhoso. Bem-vindo eterno 2007. Também 2008. 10 December A IGREJA SUBVERSIVA E CLANDESTINA CONTINUA CRESCENDOCarlos Bregantim Todos os dias, recebo noticias e testemunhos de cristãos que estão se reunindo, se encontrando fora dos chamados guetos evangélicos, católicos ou, fora do sistema religioso institucionalizado. Há uma igreja clandestina crescendo. Nas estatísticas oficiais, eles são designados de “os sem igreja” Cristãos se encontrando informalmente para estudar e reler o evangelho de Jesus. Cristãos se reunindo para orar. Cristãos se encontrando para desenvolverem projetos sociais. Cristãos que se cansaram de defender as cores de suas denominações ou grupos religiosos, muitos, às vezes, sectários, radicais, inflexíveis. Cristãos feridos pelo sistema religioso que estão encontrando cura no serviço cristão. Cristãos se voluntariando em hospitais, asilos, creches, cadeias, favelas e em ONGS sérias que visam o bem da humanidade em todos os seus aspectos e necessidades.. Cristãos encontrando comunhão saudável em lugares os mais diversos. Cristãos se envolvendo em causas justas, não importando quem as iniciou, isto é, de quem foi a idéia. Cristãos cobeligerando em nome da paz, da justiça, do bem comum. Cristãos sendo apenas cristãos e não religiosos. Sabe-se que em paises ainda repressivos, esta igreja clandestina, subversiva cresce. Cresce nos porões e misturada no meio do povo e em ações comunitárias absolutamente relevantes. É impossível enumerar os cristãos que dizem estarem melhor fora dos seus guetos religiosos. Confesso que noutros tempos isso me angustiava, mas, hoje, hoje não. Por conta do que se tornou o chamado “mercado religioso”, hoje, confesso, prefiro ver o engajamento de muitos cristãos em movimentos comuns, de rua, de curtiços, das favelas, de sem terra e sem tetos. Movimentos em favor da ética. Movimentos em favor da ecologia pensando no aquecimento global e no bem estar do mundo. Gosto de saber que há meninos e meninas se encontrando em lugares públicos para ler o evangelho, orar e desenvolver amizades espirituais. Gosto desta clandestinidade. Gosto desta subversidade. Gosto do sal diluído no meio da multidão. Gosto da luz em lugares que antes eram só trevas. Hoje, quando ouço os reclamos do interminável contingente de pessoas, queixando-se dos males que estão sofrendo em seus sistemas religiosos, em seus guetos evangélicos, em seus modelos de espiritualidades, confesso, não consigo mais encoraja-los a ficar ali. Erncorajo-os a encontrarem outros irmãos e se reunirem em algum lugar e ali celebrarem a fé, a amizade, o amor, a solidariedade, ler o evangelho e buscar interpreta-lo e traduzi-lo pra vida. Não consigo e nem quero mais participar de rodas em que o tema é os que estão explorando a boa fé de muitos. Cansei disto. Não tenho animo para insistir em denuncia-los, até porque a imprensa já o faz diariamente tal o tamanho deste quadro que chega ser tragico. O ministério publico tem feito. Na verdade, a maioria das situações denunciadas são casos de policia e muitos estão sendo investigados, processados e presos. Acho que este é o caminho melhor, isto é, denuncia-los à justiça e deixar que esta os enquadre conforme as conclusões judiciais. Penso que aos cristãos cabe apenas serem cristãos. Quem disse que era pra ser assim? Qual a instituição religiosa que Jesus organizou? Segundo o que entendo no evangelho, não há mais lugar santo, nem dia santo, nem púlpito santo, nem encontros santos. Não há mais o clero que intermediava entre o homem e Deus. O véu do templo se rasgou e não apenas nós podemos chegar lá mas a Glória do Eterno vazou para nós. Creio nesta igreja clandestina, subversiva, invisível, diluída no meio das pessoas. Creio nestes encontros simples. Creio nestas reuniões extra-oficiais. Hoje, não há porque ficar aprisionado a um sistema religioso que sobrecarrega seus adeptos com cargas insuportáveis de dogmas, maldições, chantagens, coerção, pressões psicológicas, que espalham o medo, o terror. Minha palavra aos que reclamam disto é, porque você continua lá? O que te prende? Deus não é. E se Deus não é, quem é? Ou é o poder de persuasão de homens e mulheres que exercem tal domínio sobre muitos ou é de outra origem que nem quero aqui citar. Quero fazer parte desta igreja que cresce na clandestinidade, na subversidade, no anonimato, no meio do povo. Quero fazer parte desta igreja que se espalha, se dilui, e, como água, penetra os lugares impenetráveis. Quero essa igreja, que não tem sede e nem utensílios caros e muito menos um clero ditando o que deve ou não ser feito. A resposta aos exploradores de almas e de bolsos será dada quando os cristãos deixarem de alimenta-los, sustenta-los, enriquece-los, paparica-los, louva-los, exalta-los, ovaciona-los. Parem de contribuir para seus projetos megalomaníacos de construir suas torres. Contribua com aqueles que, se você, seus filhos, seus pais e amigos estiverem num hospital, eles irão visita-los. Contribua com os que visitam os presos em cadeias. Contribua com os que estão militando entre os necessitados e você sabe seus nomes, conhece suas famílias. Sabe onde moram. Pare de contribuir com os que estão construindo mansões. Pare de contribuir com os que vivem voando pelos ares em seus jatos particulares. Parem de contribuir com aqueles que tem motoristas particulares e carros impostados pagos a preço de ouro e com as ofertas de gente simples. Pare de contribuir com aqueles que só usam roupas de marca. Contribua com os que estão aconselhando seus filhos pessoalmente. Conhece-os pelos nomes. Contribua com aqueles que você pode ligar de madrugada e eles os atendem. Contribua com aqueles que você sabe o numero do celular e quando você liga, eles atendem. Contribua com aqueles que lhes respondem os e-mails. Contribua com aqueles que te atendem em horas de desespero. Contribua com aqueles que foram nos funerais de seus familiares e choraram com você e sua família. Contribua com homens e mulheres que você já chegou perto e viu, testemunhou que são seres humanos normais. Não contribua com semi-deuses. Contribua com aqueles que você pode tratar pelo primeiro nome. Tenho pra mim que esta é a melhor forma de denunciar e destronar estes que vivem da miséria de tantos. Se você faz parte de um pequeno grupo, uma pequena comunidade onde você é tratado com dignidade, pelo nome e o que ali é ensinado e feito, todos sabem e nada esta debaixo dos tapetes, fique ai e contribua com seus recursos. Não contribua pra manter programas de radio e televisão de ninguém a não ser que você tenha absoluta certeza que seus recursos de fato estão sendo investidos de maneira correta. Contribua com aqueles a quem você tem acesso. Contribua com os que te ouvem. Contribua com os que te atendem. Contribua com gente que tem ouvidos e sensibilidade para com você e os seus próximos. É por isto que creio nesta igreja clandestina, subversiva, pois, ela pode não ser conhecida da mídia, mas, é conhecida nas ruas, nas favelas, nos guetos, nos hospitais, nos asilos, nas creches, nas escolas, nas cadeias, nas unidades da Febem, e em tantos outros lugares. Oro pra que esta igreja cresça. Oro pra que milhares de pequenos grupos sejam constituídos. Oro para que os movimentos como Caminho da Graça e outros nunca se institucionalizem a ponto de se tornarem tão pesados que não consigam mais atender as pessoas. Oro, oro mesmo, pra que Jesus seja visto e conhecido em lugares simples, em encontros simples, no meio de gente simples e ali, Ele cure, restaure, reconcilie, reconstrua, salve, ressuscite, enfim, que Ele faça aquilo que só Ele pode fazer. Creio nesta igreja. Com carinho. Carlos Bregantim 25 November SÓ A DISCRIMINAÇÃO TEM CORTales Messias
“Negras sofrem discriminação em dose dupla”, foi o título do artigo de um jornal de minha cidade na semana passada. Neste, eram apresentadas estatísticas onde mostrava-se a cruel realidade das negras, no Recife: - elas ganham 55% menos que as mulheres brancas; - elas ganham cerca de 40% menos que os homens negros; - elas ganham cerca de 110% menos que os homens brancos.
Esse artigo precisa adaptar-se em minha mente como alguém em estado febril. Precisa servir de termômetro, sinal interior. Precisa apontar para algo errado nas entranhas de nossa sociedade. Precisa servir ao menos como uma “luzinha” de nosso painel de carro apontando para algum defeito sério em nosso mecanismo social. Demorei dias com esse texto em mente...e só agora decidi escrever...como minha réplica...
Já é madrugada. Hora de descanso. Mas, em alguns dias, hora de reflexão e inquietação. Hora onde, cessado à inquietação interna do dia – geralmente gasto em atividades externas a nós – nos encontramos conosco mesmos e mergulhamos em áreas que buscamos fugir. E me enxergo com diversas perguntas...muitas. Algumas pessoais, individuais...outras à sociedade...ainda outras a algumas instâncias institucionais dessa sociedade:
- Que tipo de educação quero dar a minha filha? Já que ela provavelmente não sofrerá discriminação racial e nem ganhará menos por não ser negra? - Como cristão, é só isso o que ando fazendo que devo continuar fazendo? Resume-se a isso o cristianismo? Onde coloco aqueles ensinamentos de Jesus onde ele nos pede pra cuidarmos dos fracos e dos desamparados socialmente? Onde enfio Provérbios que nos manda erguer a voz pelos excluídos socialmente? Para que buraco jogo Miquéias, o profeta, que ergueu sua pregação forte contra aqueles ricos que esqueciam os pobres e suas madames – chamadas de vacas pelo profeta – que davam-se ao luxo e à mordomia? Para debaixo de que tapete largo outro profeta – Isaías – que condena aqueles que acumulam riquezas e terras tornando-se “os donos da terra”? - Como cristão, é só isso o que devo continuar fazendo? Onde estão as negras em meu bairro? Em meu trabalho? Eu as enxergo pelo menos? Ao menos eu sei que elas enfrentam discriminação no dia-a-dia? Ou, de tão insensível, já se tornou imperceptível? - Para que meus cultos dominicais se tudo se resume aos domingos? Para inspiração para a semana inteira? Para isso realmente é ótimo! Mas...é só isso? - Falando em igreja... onde estão elas...onde estão os negros nela? E onde as negras? Quanto elas ganham? Ganham o mesmo nível de salário que as discriminadas da pesquisa? Não?? Sei a razão...é porque sequer estão empregadas lá. Na verdade, sequer freqüentam. Para que as igrejas existem? Perguntaram a Jesus se o que está funcionando hoje é o que Ele projetou? Digo isso porque o vejo andando entre os pobres, entre os mancos, entre os leprosos, entre os coxos, entre aqueles que ninguém queria andar, tocando nos que eram considerados impuros e indignos, libertando aqueles que a sociedade escolheu para viverem presos, chamando para perto aqueles que viviam “de largo”, pelos caminhos. Ele devolveu à casa aqueles que viviam sem família, com ânimo hiperativo, correndo em locais desertos e sombrios. Condenou aqueles que achavam-se sãos e limpos. Achou o diabo dentro de lugares tidos como santos, tal qual sinagogas. Jesus viveu assim. E nós? E eu? Será que não estou privilegiando aqueles lugares e pessoas que Jesus condenou? Será que não estou vivendo o averso do que Jesus afirmou? - Quanto ao governo...não tenho mais o que dizer...ele fala por si mesmo...o atual estado de descrença apresenta raízes: cansaço de ver mensalões, de ouvir frases ocas de “lulas” sem que o “polvo” seja ouvido; estafa por ver diariamente repetidas “cuecas” sujas; “caducos” cadocas realizando festas; Partido, partido, dos Trabalhadores; Infantis “Garotinhos” e “marmotas” Suplicys; políticos viciados em poder e que, após anos, mesmo de mandato infrutífero, tentam retornar a ele com suas “barbas”, Vasconcelos. Cansei destes. E como só se deve atirar pedras aquele que está sem pecado... agora eles fecham as portas... e secretamente votam em todos como “inocente”. Para que seus próprios pecados não venham à tona, pois tornar todos os culpados em inocentes vem a “calhar”, como Calheiros.
Preciso rever meus caminhos. E preciso rever sempre. Nossas injustiças e patologias socias estão tão intrisecamente espalhadas em nossa cultura que corremos o risco de, gradualmente, irmos nos acostumando com elas. Até que algum “profeta-jornalista-escritor” nos chame a atenção, para nós mesmos e nossa sociedade.
Porque o grande mal de nossas vidas é a rotina. A rotina tem poder de nos roubar a sensibilidade, de nos furtar a percepção dos detalhes. O resultado é que acabamos nos acostumando com situações que nunca deveríamos nos acostumar. Perdemos a capacidade de nos indignarmos com aquilo que nunca deveríamos ter nos acostumado. Isso pode acontecer conosco, pode acontecer com as instituições e acabam por tomar conta de toda a sociedade. Por isso que olhamos para as negras discriminadas, para os meninos de rua, para os mendigos e, de tanto ver, nos acostumamos. Eles se tornaram parte do cenário. A situação deles não nos afeta mais. Não nos sensibiliza mais.
Termino aqui com uma cena acontecida com o Martin Luther King: Ele estava preso. Por causa de sua luta contra o racismo e segregação racial. Ele, um pastor batista, cristão, lutou veemente contra a discriminação...e foi preso. Um dia, um grupo de 10 pastores brancos foi visitá-lo na cadeia. E, por muito tempo, eles tentaram convencer Luther King de que não deveria continuar sua luta e seu movimento. Ele deveria “esperar em Deus”. Ele, então, com olhos cheios de lágrimas, respondeu a eles ... “Vocês me pedem para parar com minha luta porque vocês não têm em casa uma filhinha. Negra. Assistindo televisão e vendo uma propaganda de inauguração de um novo parque na cidade. E minha filhinha vira-se pra mim e pede “papai, eu quero ir. Você me leva?”. E eu tenho que explicar a ela que ela não pode ir lá. E ela me pergunta: “Por que, papai?”. E eu só tenho uma resposta: ‘Porque você é negra, minha filha. Porque você é negra. Deus lhe fez assim.’ Vocês me pedem isso, porque vocês não precisam passar por isso!”
Que Deus e nossa consciência nos ajude a enxergarmos o outro. Os que sofrem. Os esquecidos, desamparados e discriminados. Que nos ajude a enxergá-los. E após vê-los, olharmos pra nós mesmos para que possamos ver nossa própria culpa na manutenção dessa sociedade da forma em que ela está. Incluindo nossas casas.
16 November VER e ENXERGARTales Messias
Hoje acordei. E não me vi.
Liguei TV. Não me enxerguei.
Corrí ao trabalho. Nessa corrida, não me reconhecí.
Trabalhei, cumprí metas, adquirí novos objetivos
Me enfurnei em planilhas, apresentações,
Excell, Power Point, Corel,
Estatísticas, clusters, cálculos, novas visões.
E não me vi.
Estafado, retornei. Após um banho, um bom café,
olhei de lado...
Vi minha filha, minha esposa. Vi não, enxerguei-as.
Ainda cedo, elas já estavam lá.
Eu não. Não perceptivelmente.
Lembrei das pessoas com quem estive no trabalho.
Lembrei dos que estavam lá.
Notei que lá não estive.
Lembrei de minha corrida para lá chegar.
Mas, vi que durante esta, não me via.
Só então vi que...
É quando me vejo, que passo não apenas a olhar,
mas também a enxergar. É quando vejo o olhar dos
outros, de minha filha, de minha esposa, de meus amigos,
de meu próximo. Olho e vejo, então percebo: o olhar de dor,
ou de alegria, o que cabisbaixo está, o olhar do outro.
Ao me ver, vejo. E vejo que posso continuar
vivendo, acordando bem cedo, correndo, trabalhando,
pressionado...mas, ainda assim, desafiado a continuar enxergando-me.
Que esse olhar pra mim mesmo, seja termômetro, seja indicativo...
de saúde...ou doença... mais que isso, seja também remédio,
diagnosticando e curando, à medida que discerne (pois até o
dicernir é ato divino, por isso já terapêutico).
Mais que isso ainda: que esse olhar seja também esperança,
pois me traz vida em meio a tantos sinais de morte.
Seja ainda luz, pois me clareia os olhos na direção
dos outros...a fim de que me livre da tentação de
centrar-me em mim. Centrando-me em mim,
acabo por não ver o outro.
Mas...que dilema...não afirmei que enxergando
a mim é que vejo o outro?
Se fito os olhos apenas em mim...perco-me em mim.
Se me encontro em mim - vendo quem sou -
além de me encontrar...encontro também o outro.
Minha oração: Me faz ver... primeiro essa! Pois já
disse um pensador que pior que ser cego é não
ter visão.
Me faz ver quem sou. Pois assim encontro-me.
Negando-me a um estilo de vida longe de
meus valores.
Me faz ver o outro. Pois assim, evito ver apenas
quem sou e livro-me da pior das cegueiras:
a insensibilidade à dor do outro.
A ti, Deus. 11 November COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZTales Messias
Hoje, domingo, num desses raros dias onde podemos descansar sem outro compromisso agendado, assistí a um filme: “Como se fosse a primeira vez”. É a história de uma jovem, muito bonita, que após sofrer acidente de carro, passa a ter um problema mental onde sua memória curta é perdida durando apenas um dia. Cada dia, após o acidente, é completamente novo. Com isso, ela esquece de tudo o que houve com ela no dia anterior. Inclusive de um rapaz que a conheceu após esse acidente, e que por ela se apaixona. Todo o restante do filme é uma grande lição de vida: o “namorado diário”, que a ama muito, precisa conquistá-la a cada dia. Como se fosse o primeiro encontro dos dois. Ele precisa, todo dia, fazer com que ela se apaixone por ele. A despeito da família e de todo mundo, que tenta afastá-lo dela, por não acreditar no relacionamento deles, ele, diariamente, de todas as formas possíveis a conquista. Sabe ele que quando ela fecha os olhos...todas as memórias do dia esvaem-se.
Esse filme leva-me a mim mesmo.
As rotinas têm o poder de levar de nós os sentimentos mais importantes. Furta aqueles sentimentos que fizeram nos apaixonar. Nos rouba da mente detalhes que um dia nos impressionou. Tem poder de esfriar o que um dia já foi efervescente. Consegue potencializar em nós grosserias contra aqueles por quem poderíamos morrer. De forma impressionante desfaz sabores do que dantes só trazia prazer.
Olho pra mim...não me vejo no filme...isso me preocupou...e me levou à oração...
“Deus, me ensina e me ajuda a abrir os olhos, cada manhã, ciente e grato pelo trabalho que tenho... com as dificuldades, pressões, prazos e tensões... mas lembrando que, um dia, quando nada tinha, orava pedindo a ti por um trabalho... e quando prometia a mim mesmo que iria dedicar-me a ele, valorizando-o, por saber a dor de não tê-lo.
Me ensina e ajuda a tomar meu café...cada dia...com sabor diferente...pela gratidão de tê-lo a cada dia...
Quando acordar e for dar o primeiro abraço e beijo na minha filhinha...que seja como sendo o primeiro...que seja doce, forte, emocionante, cheio de amor como se só tivesse aquele dia com ela...
Quando for dar um beijo em minha esposa, que este não se pareça com um aperto de mão e nem se torne rotina diária, ritualmente determinado, para a despedida ao trabalho. Mas, que nesse beijo, haja respiração, olhar, toque e intensidade de alguém que queira demonstrar todo o amor sentido...que seja longo...não apressado...que seja sincero e fisicamente bem expressado e que reflita a não vontade de despedir-me.
Que eu ame a quem eu encontrar no caminho...ao meu próximo...como se aquele momento fosse o primeiro...ou último...
Que eu ame a Deus com a mesma paixão e intensidade que um dia me fez despertar pra Ele. Quando um dia decidi, movido por Ele, a ser dEle. Que O ame acima até de mim. Isso fará com que ame os outros, da forma como amo a mim mesmo. Isso fará com que, cada dia, cada manhã, em cada almoço, em cada adormecer, em cada oportunidade dada, eu saiba que preciso viver diariamente, dia a dia, amando as pessoas, os momentos e a Deus como se fosse meu último dia.
E que isso traga de volta algumas ações que teimam em perder-se no tempo e na rotina: - Um café da manhã na cama para minha esposa e filha; - Uma surpresa para quem amo; - Uma cartinha de amor; - Uma tarde num parque totalmente dedicada a minha filha; - Uma palavra de amor e gratidão pelo amor e coerência de meus pais; - Uma tarde dedicada à reflexão e silêncio, para estar comigo e com Deus; - Uma auto-análise sobre como tenho dedicado meu tempo aos pobres e àqueles excluídos; E um sem-número de outros detalhes da vida...que por estarem sempre presente...perdem-se na nossa incapacidade de vê-los...tornando-se ausentes.
Enfim, que a rotina não faça com que me “acostume” com detalhes da vida a ponto de ignorá-los. E que, por isso, eu encare tudo do meu dia “como se fosse a primeira vez" 28 October 1 CORÍNTIOS 13 - Um resumo poéticoNewton Messias Ferreira
Ainda que eu fale, Se não amar: Barulho.
Ainda que eu saiba, Se não amar: Nada.
Ainda que eu dê, Se não amar: Nulo.
O amor é. O amor será. O amor sobre tudo.
17 October TEMPO DE RECONSTRUIRTales Messias Muitos anos atrás realizei um evento com este tema: Tempo de Reconstruir.
Naquele tempo, juvenil, imaginava nossa vida sendo desenhada de forma linear. A imagem que acompanhou todo aquele evento foi de um jovem, com uma muda de planta nas mãos, muito verde, em meio a um terreno muito seco, plantando-a. A idéia era representar um renascimento, um recomeço, um reinício de vida.
Não era de todo errado aquele pensamento. Continuo crendo na possibilidade de reconstrução. Continuo tendo esperança de que pode brotar vida de onde, aparentemente, só habita a sequidão da morte. Continuo acreditando assim.
Mas, já não acho que a vida corre por trilhos lineares. Retos. Aplainados. Ao contrário, as surpresas a cada esquina são paralisantes por vezes. Lembro daquele maratonista, brasileiro, nas últimas olimpíadas. Ele corria confiante. Seguro. Passadas fortes. A vitória era sensível. Repentinamente, do meio da multidão, surgiu um homenzarrão, segurando-o, impedindo-o de caminhar. Resultado: foi o suficiente para ele perder o primeiro lugar. Não houve como reclamar, nem protestar. Foi um evento inesperado. Tirou-lhe a vitória. Ele, diariamente, havia treinado, dedicado-se, suado muito. Um outro, sem razão justificável, esbarrou em seu caminho e tirou dele uma vitória garantida.
Há, também, uma história, inventada por Jesus (o que denomina-se de parábola), em que ele relata sobre um homem que caminhava. Caminhava por um caminho conhecido. Por isso mesmo, caminhava seguro. E, também, caminhava com destino certo e previsão certa de chegada. Repentinamente, sem se saber de onde, ele é atacado por outros homens, ladrões, que o roubam, o espancam e o deixam semi-morto. Alguns religiosos começaram a se aproximar, causando, talvez, uma momentânea segurança. Talvez tenha pensado que estaria salvo com aqueles homens. Mas, aqueles, passaram de largo e ignoraram seu sofrimento. Por fim, um terceiro homem passou. Tido como inimigo, já que era samaritano (pois judeus não se dão com samaritanos). Este, porém, pára. Dá atenção. Coloca-o sobre seu jumento e o leva a uma pousada. Pede que cuidem dele. Paga todas as despesas e se despede. Aquele judeu recupera-se completamente e retorna à sua casa. Retorna com uma certeza em mente: surpresas são inevitáveis. Vida completamente administrável e linearmente segura inexiste. Ele, que vinha caminhando por estrada conhecida e com destino certo viu-se, repentinamente, em situação desconhecida, fora de controle e impotente à vida.
Hoje, após eu mesmo ter me encontrado com inusitadas surpresas, descaminhos, atalhos súbitos e que nos levam a labirintos existenciais, percebo vários ensinos, fruto da pedagogia natural da vida e dos sofrimentos:
1) Aprendí que não posso confiar na vida como uma rota perfeitamente administrável e segura. Há surpresas. Algumas trazem imensa alegria. Em outras, estáticos ficamos diante da dor; 2) Aprendí que o Tempo de Reconstruir não se faz em um evento, nem em uma determinada fase da vida. A vida, dia a dia, tal qual estalactites em rochas, vai nos construindo lentamente. Pacientemente. Quem catalisa esse amadurecimento são os sofrimentos e, também, nossa consciência real de quem somos, de nossas limitações e desafios; 3) Aprendí que, diante da vida, rico é aquele que é sensível a Deus e possui amigos. Quem é sensível a Deus consegue enxergá-lo no meio da escuridão, mesmo que continue sem enxergar caminho ou saída alguma. Mas, enxergando-o, consegue ter confiança de que haverá caminho. Já quem possui amigos, destrói uma das maiores peçonhas que nos fazem sofrer: a solidão. 4) Aprendí (e devo este ponto ao meu pai) que, no meio da dor e sofrimento, além de lágrimas, precisam existir projetos. Meu pai, em meio aos seus próprios desertos, buscava papéis e caneta para esboçar saídas possíveis para aqueles problemas. Verdade é que muitos projetos frustravam-se, mas a mente permanecia viva, teimando em perseverar crendo. 5) Aprendí que, quando em meios aos sofrimentos, melhor remédio é buscar consolar a dor do outro. No meio de nossa dor temos a sensação de que ninguém mais sofre com intensidade maior do que nós. E nos isolamos. Quando nos doamos, nos desfocamos da própria dor. A murmuração contínua então, que se torna quase alimento diário, vai se esvaindo... pouco a pouco...
Tempo de Reconstruir. Foi este tempo ontem. Tem sido hoje. Continuará sendo. Nunca de forma linear. Mas, sim, em caminhos obtusos, curvos, parabólicos.
Quem possui consciência disto, vive. Vive em paz por saber que o aprendizado é contínuo. Vive humilde por saber que é alguém incompleto sempre e ainda “por acabar”. Vive levando paz aos outros mesmo que a vida, esses “outros” e as surpresas tentem levá-lo a viver existencialmente “em guerra”. Vive sempre com uma sadia insatisfação, buscando ser melhor sempre, por reconhecer que ainda há mais pra se ser. Sempre. Enfim, vive.
08 October QUEROTALES MESSIAS "Quero sua risada mais gostosa Esse seu jeito de achar Que a vida pode ser maravilhosa Quero sua alegria escandalosa Vitoriosa por não ter Vergonha de aprender como se goza Quero toda sua pouca castidade Quero toda sua louca liberdade Quero toda essa vontade De passar dos seus limites E ir além, E ir além... Quero sua risada mais gostosa Esse seu jeito de achar Que a vida pode ser maravilhosa Que a vida pode ser maravilhosa... "
Dizem que “querer é poder”. Mas quanta gente, tamanho é o sofrimento, já não deseja rir? Nem mais se percebe capaz de, maravilhosa, a vida achar?
Por que tantos limites? Tanto medo escondido, tão pouca liberdade? Gente que, por ter sofrido, já não se aventura? Se encaramuja, pra não mais dor sofrer.
Tantos rostos sombrios, estéreis de sorrisos Por, no passado, decepção, traição e frustração levar Isso paralisa, estaciona o coração Impede de andar...e se aventurar.
Queira! Queira! Queira ver nos outros. Queira em si mesmo. Virtudes, desejos, amplitudes. Esperanças, mudanças, sonhos a muito esquecidos. Nem sempre se pode querer. Há podas. Mas, busque querer.
Querer ver-se melhor. Querer estar em estágio maior. Querer ver e ter do outro o melhor. Querer para o outro o melhor.
Querer...é um início. O efetuar também virá de Deus. A partir disto, as estradas se tornam caminhos Para se ir além. E ir além...
18 September A PEDAGOGIA DA ÁGUIACompartilho um texto que, para os mais íntimos, não será difícil notar que se coaduna com o atual momento que estou vivendo. Meu desejo: que traga, pra você também, reflexão e auto-avaliação.
Tales
Autor: Anônimo
A águia é a ave de maior longevidade. Chega a viver setenta anos. Mas para alcançar essa idade, aos quarenta ela tem que tomar uma séria e difícil decisão. Com quarenta anos de vida, ela já está com as unhas cumpridas e flexíveis e não consegue mais agarrar as presas das quais se alimenta. O bico alongado e pontiagudo se curva, apontando para o peito. As asas estão envelhecidas e pesadas em razão da grossura das penas. Voar torna-se muito difícil. Só restam a águia duas alternativas: morrer ou enfrentar um dolorido processo de renovação que irá durar cento e cinqüenta dias. Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e se recolher a um ninho próximo a um paredão. Após encontrar esse lugar, a águia começa a bater com o bico no paredão até conseguir fazer o bico cair. Depois disso, espera nascer um novo bico, com vai depois arrancar suas unhas. Quando as novas unhas começam a nascer, a águia passa a arrancar as velhas penas. E só passado cinco meses a ave sai para seu famoso vôo de renovação e para viver mais trinta anos. Em nossa vida, muitas vezes também temos de nos resguardar por algum tempo para dar início a um processo de renovação. Para que continuemos a voar um vôo vitorioso, devemos nos desprender de lembranças, costumes e outras tradições que nos causaram dor. Somente livres do peso do passado, podemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz. 05 September DEVE-SE DEMORAR A CHAMAR “AMIGOS” DE AMIGOS Tales Messias
“Só eu sei as esquinas por que passei, só eu sei. Só eu sei. Sabe lá o que é não ter e ter que ter pra dar, sabe lá. ... Só eu sei os desertos que atravessei, só eu sei. Sabe lá, o que é morrer de sede em frente ao mar, sabe lá, sabe lá” Djavan
Em tempos de imensa banalização da amizade deve-se demorar a chamar “amigos” de amigos. Hoje, todos “são” e dizem ser “amigos”. São “amigos” quando se conhecem apenas em ambientes de trabalho. São “amigos” quando dividem alguns momentos de atividades comuns. Tornam-se “íntimos” quando perguntados se nos conhecemos. Se na rede virtual, podemos ter centenas de “amigos” - até mesmo “fãs” - mesmo que eles sejam tão distantes que não percebam quando estou mentindo sobre quem sou e como estou. Todos, repentinamente, são “amigos” e podem “ter amigos”.
Isso dura por instantes. Até que se descobre que até as reais amizades eram virtuais. Às vezes, porém, persistem por anos. Nesses casos, a descoberta traz consigo dor, decepção e solidão. Mais ainda, medo de novamente voltar a crer.
Deve-se demorar a chamar “amigos” de amigos. Como já se disse, “amigos são aqueles com quem se pode ser o que se realmente é, e ainda assim eles não nos rejeitam”. Amigos não condenam, pois se vêem como iguais. Muito menos julgam. Pois sabem que se condenariam nos próprios julgamentos. Amigos não se escandalizam, pois reconhecem ser potencialmente capazes de tudo quanto o outro faz. Amigos não nos vêem de cima. Eles se abaixam para que nos apoiemos. Amigos não são eternamente concordantes. Pois eles nos complementam. Amigos não trazem homogeneidade. São diferentes de nós, a fim de que a vida tenha várias cores. Amigos não passam pelos mesmos desertos que nós. Mas reconhece a dor de cada deserto distintamente. Amigos não vulgarizam nossas dores. Estimulam as lágrimas crendo no futuro consolo. Amigos não se afastam com a falsa desculpa que querem “respeitar nosso espaço”. Estes que assim dizem nos deixam sós justamente quando temos por companhia apenas nossas sombras. Amigos sabem que nem sempre se ri. Mas, luta para que esse tempo se prolongue. Amigos não buscam companhia apenas. Buscam ser companheiros. Amigos não se comunicam com palavras apenas. Elas são pobres diante da comunicação que existe em uma amizade. Amigos não acertam sempre. Erram. Nos decepcionam. Para que exercitemos o perdão. Amigos não se aproximam pensando em romance. Seria aproximar-se para benefício próprio. Egoísmo velado. Mesmo que eu só creia em romance verdadeiro quando um casal melhores amigos são. Amigos não “lembram” de ligar, ou de “enviar e-mail”, como alguns dizem. Eles não lembram de esquecer mesmo quando distantes. Amigos não perguntam “se estou bem”. Eles percebem...e logo perguntam “por que não estou bem”. Amigos não vão e vem. Qual ondas. São perenes e firmes. Qual raízes. Amigos não nos aprovam em tudo. Pois desejam sabedoria e felicidade mais do que vulgaridade e prazer.
Deve-se demorar a chamar “amigos” de amigos.
Mas, achando-se estes poucos. Nunca são muitos (Isso é virtual!). Chamem-no de amigo. Chamem-no de irmão. Chamem-no para perto. Chamem-no. Ele estará. 01 September SEJAAutor: desconhecido
S E J A F O N T E!
Fonte de água pura e cristalina. Seja água abundante para quem tem sede de amor, de carinho. De força, de apoio de diretriz. Se você não tem nenhum motivo para ser feliz, seja feliz por ser fonte. Por ser procurado por aqueles que precisam de você
S E J A P O R T O!
Porto de chegada de almas cansadas, Seja porto para aqueles que andam perdidos pelo mundo, E que precisam de um lugar tranqüilo para descansar o fardo que carregam Para ser porto de chegada, abrace, afague, receba, dê boas vindas. Seja porto de saída, saída para quem precisar partir, despedindo-se das ilusões, das dores, dos fracassos e decepções. Partindo para uma vida melhor, para isso, ajude, apóie, converse, estenda as mãos, ouça, oriente Seja também porto seguro, para quem lhe ama e precisa de você. Porto seguro para os amigos, para a família, para quem precisar Para ser porto seguro, esqueça o ego e pense no próximo, esqueça suas dores e amenize as dores do próximo. Se você não tem motivos para ser feliz, seja feliz por ser porto, para receber aqueles que procuram por você
S E J A PONTE!
Ponte que liga a vida terrena à eternidade do céu. Para ser ponte, compreenda, perdoe e deixe as pessoas passarem por você. Para ser ponte, Esteja no fim da estrada daqueles que não encontram o caminho de volta Seja a passagem e não o atalho, Seja o caminho livre e não o pedágio. Se você não tem outro motivo para ser feliz, seja feliz por ser ponte. Ponte significa união, ligação, laços de afeição
S E J A E S T R A D A!
Estrada longa, gostosa de passear, Estrada iluminada de dia pelo sol e de noite pelo luar. Seja estrada que guia, Estrada que conduz a outros caminhos. Se você não tem outro motivo para ser feliz, seja feliz por ser estrada, estrada dos peregrinos da vida... 22 August DEUS PODE...Autor: desconhecido
Quando o sonho se desfaz, Deus reconstrói; Quando se acabam as forças, Deus renova; Quando é inevitável conter as lágrimas, Deus dá alegria; Quando a maldição é certa, Deus transforma em bênção; Quando parecer ser o final, Deus dá novo começo; Quando a aflição quer persistir, Deus nos envolve com a paz; Quando faltam as palavras, Deus sabe o que queremos dizer; Quando tudo parece se fechar, Deus abre uma nova porta; Quando você diz: não vou conseguir, Deus diz: 'Não temas, pois estou contigo'; Quando o coração é machucado por alguém, Deus é quem derrama o bálsamo curador; Quando só há morte, Deus nos faz persistir; Quando a noite parece não ter fim, Deus faz nascer o amanhecer; Quando caímos num profundo abismo, Deus estende sua mão; Quando tudo é dor, Deus dá o refrigério; Quando o calor da provação é grande, Deus dá a sombra da sua presença; Quando o inverno parece infinito, Deus traz o verão; Quando não existe mais fé, Deus diz: acredita; Quando estamos a um passo do inferno, Deus nos dá a direção do céu; Quando não temos nada, Deus nos dá tudo; Quando alguém diz que não somos nada, Deus nos diz que somos mais que vencedores; Quando difícil se torna o caminhar, Deus nos carrega no seu colo 13 August CRIANÇAS: ENSINEM AOS PAISTales Messias (Texto veiculado pelo Jornal do Commercio, no dia 12/08/07, na Coluna Religiões)
Ontem estive num supermercado. Além de compras, aprendí sobre a vida. É impressionante como lugares tão comuns podem, inusitadamente, caso sensíveis estejamos, nos ensinar lições melhor aprendidas do que em universidades. A cena era deprimente e extremamente inadequada para tal lição: terminado as compras fui à fila. Indescritivelmente longa. Refletí que opções teria para evitá-la: mudar de supermercado, procurar outras filas.. Todas as possibilidades foram frustradas. Na fila ao lado, duas crianças dentro de um carrinho... e a mãe. Elas, nem um pouco cansadas. Estavam tranqüilas. Sorridentes. Meu cansaço foi-se. Ali, olhando pra elas, o tempo passou...lembrei de minha filhinha, lembrei de minha infância, apenas observei -as e me enxerguei sorrindo ao vê-las brincar. Só que a vida, quando vivida em plenitude, tem poder de influenciar os que já vivem sem vida. É a “Vida Severina” a qual refere-se João Cabral. É contagiante.. Acaba por inflamar os que vivem sem aparente vida. Foi o que aconteceu. Primeiro com um senhor. Na minha frente. Antes moribundo, enfezado, irritado com a demora...contagiou-se com a vida. Aos poucos foi entretendo-se com as crianças até tornar-se amigo, parecendo ser quase da família tal era a intimidade e liberdade das crianças com ele. Ele retribuiu. Sorriu muito. Virou ridículo aos olhos dos chamados “adultos”. Tornou-se o fabricante de brinquedos para elas. Um inventor. Fez de tudo e elas adoraram. A essa altura, o contagio deflagrou-se. Atingiu uma senhora. Carrancuda. Religiosa. Pelo tipo de roupa se notava isso e também pelos dizeres. Saia longa. Cabelos presos. Sorriu para as crianças. Elas retribuíram. Jogaram a “bola bexiga” para ela. Ela jogou de volta. Em minutos, as crianças formaram um “time” de voleibol, do lado esquerdo da minha fila. A senhora, sozinha, o outro time, do lado direito. A rede? Os carrinhos na fila. As crianças riam, gritavam. A senhora séria? Tornou-se uma igual. Ela ria, gritava: “vai, vai”. Reclamava quando as crianças paravam de jogar. Suava muito. Acredite: ela pulava como jogadora cortando sobre a rede. Literalmente pulava! Foi impressionante observá-la. Mas, decepcionante também. Pensam vocês que essas reflexões que agora escrevo me sobrevieram no momento? Não.Enganam-se. Pois no momento eu estava travestido de adulto. E, como tal, sério fiquei. Duas horas de espera. Fui ao Caixa, paguei e fui embora. Só horas depois as reflexões vieram... a vergonha também... de ver que tornara-se um adulto igual.Pois acabamos por gostar daquilo que nos ensinam a desejar. Nós falamos da forma socialmente aceitável. Nós nos portamos de forma que não nos tornemos “ridículos”. Para sermos bem vistos, aplaudidos ou, no mínimo, tidos como um comum, um “normal”. Qual o problema disto? Só em fazermos esta pergunta nos deparamos com a insensibilidade característica dos adultos. Ou não é problema percebermos que a maioria das crianças pequenas riem (assim como minha filhinha) ao terem contato com uma borboleta e os adultos as matam ou espantam sem nem a perceberem? Ou não é problema vermos as crianças pequenas admirando as flores, até do próprio jardim, enquanto nem as notamos mais ? Talvez o que nos deixaram como legado do que é ser adulto seja apenas uma sombra do que é a vida. Será que não há uma forma de sermos adultos-crianças? Será que precisamos ser o que somos? Será que não podemos conciliar chinelo e sapato? Sorvete e negócios? Escritório e praia? Computador e Vídeo Game? Flores e pen drive? Borboletas e Excell? Talvez assim consigamos ter vida. E não apenas vislumbres dela. E não apenas “surtos” surpreendentes quando pegos de surpresa com o contagio das crianças. Talvez assim. Crianças, lhes peço: nos ensinem a como terminar a vida como aqueles dias iniciais, quando tudo era surpresa e descoberta. Qual pássaro recém-saído da gaiola. Pois nossa tendência é retornar a ela. Nos ensinem. O que quero ser quando crescer? Um adulto... um pai, como já o sou...mas que me lembre que o Mestre nos ensinou que “das crianças é o Reino dos Céus” e que precisamos recebê-LO como as crianças. 06 August TODAS AS COISAS MESMO?Tales Messias
“Todas as coisas cooperam, conjuntamente, para o bem daqueles que amam a Deus...”.
Mesmo, quando criança, caí e me machuquei nas brincadeiras? Mesmo, quando criança, sofri muita rejeição na escola, pelos amigos? Mesmo, quando criança, chorei por me perder da minha mãe? Mesmo, quando pré-adolescente, sofri tentativa de abuso sexual por um adulto? Mesmo, quando pré-adolescente, fui assaltado por um grupo de uns sete assaltantes, abalando-me emocionalmente? Mesmo, quando adolescente, sofri escárnio e zombaria por causa de meu temperamento diferente e introvertido? Mesmo, quando adolescente, chorei quando do término de alguns namoros? Mesmo, quando jovem, fui reprovado em algumas provas? Mesmo, quando jovem, convivi com a insegurança ao passar por um assalto em nossa casa onde quatro assaltantes “renderam” toda a nossa família nos “dopando” com drogas? Mesmo, quando jovem, reconheci ter tomado decisões profissionais erradas? Mesmo, quando jovem, me vi rodeado de calúnias por me doar numa vocação e ministério infrutíferos e elitistas? Mesmo, quando jovem, vi minha filha sair morta, sem pulso nem respiração, de cor arroxeada, no parto e, após ressuscitada, enfrentar uma UTI durante vários dias e, ainda, enfrentar meses de imenso sofrimento e dúvidas quanto ao futuro? Mesmo, quando jovem, novamente, saí fisicamente ferido por tantas pancadas de revólver na cabeça após um assalto na porta de casa, com minha esposa e filha presentes e com imensas perdas emocionais e financeiras? Mesmo, quando jovem, me lancei num pecado absurdo e que trouxe absurdas dores em tantas pessoas? Mesmo, quando jovem, vi o completo desespero e depressão baterem em minha porta ao enxergar a completa patologia em que a igreja estava mergulhada ? Mesmo, quando jovem, fui obrigado a calar-me diante de tantas ofensas, calúnias, mentiras e traições de amigos a que fui submetido? Mesmo, quando jovem, descobri traição e mentiras daquela com quem partilhava sentimentos?
Como tudo isso operou conjuntamente para o bem?
É que hoje, ainda jovem, mas não tanto mais, já “não falo, não ajo e não penso mais como menino...deixei para trás as coisas próprias de menino” e, com isso, um pouco mais adulto – mas ainda no caminho – entendi que o que permanece são a fé, a esperança e o amor. Sendo o amor o maior destes.
Ou seja, aprendi o AMOR após enfrentar o desamor, a traição e os medos. Após eu mesmo ser causador também de tudo isso.
Aprendi a AMAR os que erram após errar com quem me amava e a receber amor de quem não merecia.
Aprendi a AMAR os que me ofenderam e me traíram mesmo tendo que passar por longo caminho de perdão e vontade de esbofetear um a um.
Aprendi a ter fé distante da igreja e dos religiosos. Enxerguei a Deus sem a mistura das lentes distorcidas e opacas da religião e dos religiosos. E, ao enxergá-lo, encontrei seus próprios olhos a me fitarem com olhar de perdão e graça sobre mim.
Aprendi a ter esperança, pois vi e vejo que Deus, do nada, do que restou, de onde já reinava desesperança, Ele refaz tudo. Traz vida do pó da terra. Traz ordem e criação do caos. Cria um exército de homens de um amontoado de ossos bem secos. Recria e cria a partir do nada.
Só quem ama a Deus e vê os fatos aleatórios da vida de forma conjunta, pois se vê como em uma história e na história, vê Deus nas entrelinhas dos acontecimentos. Enxerga-o entrelaçando, costurando, tecendo nossas profundezas – emocionais e espirituais – quando nenhum dia como “adulto” ainda tínhamos vivido. Porém, com isso não acho que Deus quis que esses fatos acontecessem em minha vida. Nem quero entrar na discussão se esses acontecimentos – e muitos outros – foram vontade permissiva ou ativa de Deus na minha vida. Isso é uma discussão para o terreno estéreo dos teólogos de gabinete. Falo aqui de minha própria vida. E de como ela sempre esteve mergulhada no Amor e na ação de Deus mesmo eu tendo estado em fases deliberadamente distantes da ação dEle. Mas mesmo lá Ele me encontrou. Pois, como diz o salmista, “Se eu subir aos céus, lá estás; se eu fizer minha cama na sepultura, também lá estás. Se eu subir com as asas da alvorada e morar na extremidade do mar, mesmo ali a tua mão direita de guiará e me susterá.”.
Enfim, o que quero dizer é... que como um tecido é entrelaçado pelos finos fios, imperceptíveis por vezes, de uma linha. E esta, mesmo sendo sutil, é capaz de dar firmeza, contorno e utilidade a este tecido, da mesma forma, Deus trabalhou e trabalha em minha vida. Por vezes, muitas vezes mesmo, não O vi. Pensei estar só. E chorei sentindo solidão e total abandono.
Quem exercita olhar para sua história, com olhos de fé e análise, percebe Deus se interpondo nas fases da vida. Trabalhando, sutil e silente, qual um Espírito. Moldando-nos para nos tornarmos um dia mais adultos na fé, na mente e nas emoções. Quem faz esse exercício vê Deus até nos momentos que julgamos “ruins” e piores. Não que Deus quisesse tais situações. Mas, sua ebulição interna em nossa vida nunca cessou.
Meu desafio, para você e para mim: olhar para a história como quem quer ver e encontrar a Deus. Para isso, primeiro, precisamos amá-lo. Pois só quem O ama, enxerga que todas as coisas, conjuntamente, cooperaram – e continuarão a cooperar - para o bem.
31 July CAMINHO NOS DESCAMINHOSTALES MESSIAS
Vivemos num tempo onde se busca a segurança. Não apenas a física, que traz tranqüilidade contra a violência urbana e social. Mas também que traga descanso às nossas consciências. A realidade é muito dura, por isso buscamos a segurança das ilusões: preferimos que os doentes vivam nos hospitais; os anciãos nos asilos; os doentes mentais nos manicômios; os famintos nas favelas e periferias; os drogados e bêbados nas clínicas. Assim, por não enxergarmos, acreditamos – defensivamente – de que eles não existem ou existem longe de nós. Buscamos segurança e tranqüilidade, por isso buscamos os grandes shoppings, limpos, arejados, bonitos e ... seguros.
Isso, por vezes, se transfere para nossa própria existência. Ansiamos por vidas “limpas”, alvejadas e necessitamos mostrá-la assim aos outros, a fim de que nos sintamos incluídos.
Com isso, vamos nos tornando, primeiramente, ilusoriamente, intactos e distantes aos sofrimentos. Eles existem. Mas, são evitados, transferidos ou negados. Eles insistem em vir, mas são expurgados (não resolvidos!) e, claro, escondidos. Todo sepulcro de boa família vive bem pintado, branco, e sempre com flores. Mesmo que se saiba que, no fundo, há podridão e sujeira. Esse é o primeiro sintoma dos que vivem assim: vidas falsas, que enganam os outros e, por vezes, inconscientemente, também a si mesmas. Elas precisam sobreviver baseadas na ilusões, senão caem em profunda crise e medo do julgamento alheio.
A segunda reação, para quem vive assim é que se vive como se eventos surpreendentes não acontecessem. Vive-se como se pudesse administrar com segurança e estabilidade a própria vida, de forma permanente. Não se conta com surpresas, com eventos súbitos que trazem abaixo toda uma fortaleza construída durante anos... são casamentos que aparentemente eram perfeitos que ruem repentinamente, causando surpresa nos dois e na sociedade inteira. São filhos que, criados com todo o carinho e educação, surtam e de repente tomam um caminho de vida totalmente averso a tudo aquilo que eles expressavam acreditar. São notícias de doenças terminais que se escondiam por baixo de toda a capa saudável aparentada. São traições de amigos que dormiam e comiam no mesmo ambiente e que desfrutavam de toda a confiança. São traições e mentiras surgidas de quem mais amamos. São acidentes que levam consigo nossas paixões restando apenas saudades e dores. São tantas, inevitáveis e súbitas surpresas. Desfazem todo o fundamento de nossa “casa”, de nossa vida.
Quem vive alheio, ou achando-se imune a tudo isso, deixa tantas coisas perdidas em sua história: 1) Sensibilidade para se perceber que cada dia deve ser vivido de forma tão intensa e bem aproveitada onde tempo algum seja tido como perdido quando os dias maus vierem; 2) Humildade pois quem vive achando-se frágil e vulnerável às desagradáveis surpresas não acha-se maior e melhor pois entende que, a qualquer momento, as reviravoltas da vida podem nos levar ao chão; 3) Sensação do divino, mesmo que sejamos as pessoas mais idiotizadas e embrutecidas do mundo, que vivamos sem qualquer discernimento dos outros âmbitos da vida que não seja só o físico. Pois, quem vive cônscio das emoções e da espiritualidade, sobrevive sensível e reverente às ações do Divino; 4) Percepção dos detalhes pois quem vive atento e crente de que surpresas podem ocorrer, desconjuntando toda a vida, entropicamente, não despreza pequenas coisas e gestos da vida: um sorriso de uma filha, um beijo de quem amamos, um cinema de mãos dadas, uma tarde de domingo com quem se ama, um necessitado buscando por pão, um sol nascente, uma brisa suave e tantas outras pequenas coisas que, se atentos não formos, passarão despercebidas mas que são capazes de encher nossa alma.
Meu desejo, primeiro pra mim mesmo, é que eu viva ciente de que tudo a minha volta pode estar diferente em instantes. Que toda segurança atual pode se transformar em caos daqui a pouco. Mas, que estes sentimentos não me tragam pessimismo nem acomodação... ao contrário, me tragam sensibilidade e desejo de vida hoje; humildade no convívio com todos; olhos que enxerguem as grandes oportunidades e atividades mas que priorizem aquelas coisas mínimas, mas que trazem vida à nossa vida e, por fim, ânsia por se afinar a cada dia com a ação divina em nossa volta. Primeiro pra mim mesmo, senão na escreveria, desejo eu. Mas não só para mim. Que hoje seja dia de revermos em que cremos, aquilo em que baseamos nossas vidas, aquilo que “precisamos” demonstrar aos outros e com que atitude viveremos nossa existência.
Abraços, Tales Messias
28 July Eu queria trazer-te uns versos muito lindosMário Quintana
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos colhidos no mais íntimo de mim... Suas palavras seriam as mais simples do mundo, porém não sei que luz as iluminaria que terias de fechar teus olhos para as ouvir... Sim! Uma luz que viria de dentro delas, como essa que acende inesperadas cores nas lanternas chinesas de papel! Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento da Poesia... como uma pobre lanterna que incendiou! |
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