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March 10 Saudades de um amigo silente e do silente amigoTales Messias Março 2009
De um lado, temos hoje imensa dificuldade de encontrar aquele amigo que nos conhece pelo olhar. Apenas por ele. Sem precisar dizer absolutamente nada. Sem sentir-se constrangido a emitir opinião. Sem sentir-se obrigado a ser conselheiro. Sem que precise ter última palavra para sentir-se útil. Apenas o olhar. E bons ouvidos.
Saudades daqueles amigos que, diante de uma crise, sabem apenas estar junto. Recostar a cabeça no ombro. E ir embora. Sabedor que palavras não consolam. A presença, sim. Palavras instruem. Dão conhecimento. Enchem o intelecto. Algumas até a alma. Mas, só. Um abraço, um sorriso, uma lágrima, um carinho, um olhar piedoso são, sim, capazes de trazer conforto.
Saudades de um amigo silente...
Por outro lado, tenho saudades do silente amigo, daquele tempo solitário – em silêncio – a fim de que nossa alma finalmente seja vista. Aquele tempo em que nos despimos para nós mesmos, onde roupa alguma é capaz de embelezar ou esconder algo. Onde as máscaras não são necessárias. Onde a alma e todas as sujeiras são expostas. Onde o espelho interior nos faz ver quem de fato somos mas, pela corrida diária, nos escondemos.
Tempos onde não precisamos encenar, transparecer quem não somos, tentar convencer pelo semblante o que nossa alma sabe ser mentira, tempos de decepção necessária por vermos quem de fato somos e por nos percebermos imensamente diferentes de quem gostaríamos de ser. Tempos pedagógicos. De silêncio. Para nos ouvirmos.
Saudades do silente amigo...
Desejo ter os dois silêncios de volta à minha vida, mais freqüentemente. Comments (2)
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